Comentários sobre artigo publicado na Revista EXAME – Por que este professor quer que você demita o seu coach

Tempo de leitura: 21 minutos

Autor do livro “Stand Firm: Resisting the Self-Improvement Craze”, em português, “Fique firme: Resistindo à mania do autodesenvolvimento”), Svend Brinkmann, professor da Universidade de Aalborg, na Dinamarca em entrevista dada a Revista Exame, diz : Olhe bem para o espelho, respire fundo e repita para si mesmo em voz alta: o 1º passo para o sucesso esquecer a autoajuda. O 2º passo é demitir o seu coach.   Sobre o assunto resolvi tecer alguns comentários mas antes de iniciar esta análie, cabe a reflexão de que cada ser humano vive a partir de uma determinada cosmovisão (visão do mundo) que nunca é um resultado das visões gerais, mas sim de suas próprias experiências subjetivas.  Cada pessoa tem apenas a sua interpretação segundo  suas experiências feitas no mundo.  As ideias de Svend me fizeram pensar que um dia  nascemos no mundo com todo o potencial e perdemos, no decorrer da idade, o acesso fácil que tínhamos quando éramos crianças.  Nascemos generosos, tranquilos, confiantes mas no decorrer da caminhada acontecem algumas interferências e fazemos desvios.  Quando eu falo de desvios são os medos, inseguranças, individualismos que vão minando o estar bem com a vida.   O não estar bem consigo mesmo cria um campo fértil para os livros de autoajuda especialmente os que trazem receitas prontas de passos e dicas do bem viver.  Muita gente compra livros de autoajuda para encontrar no exterior,  o que deveria buscar dentro de si, que é a fonte de todos os recursos e potenciais humanos.

    Quando o escritor Svend fala em “esquecer a autoajuda e demitir o seu coach” é para evitar as dicas genéricas para causas específicas, ou seja,  afastem-se das literaturas ou coaches que se propõem a dar conselhos como receita de bolo. Para fazer bolo a receita funciona, e por isto é importante aprender que o ovo deve vir primeiro do que a farinha com manteiga, mas seres humanos são únicos e originais e cada pessoa devem aprender a buscar suas próprias alternativas de solução.  O que serve para uma pessoa não serve para outra e,  por preguiça em pesquisar as próprias respostas, compra-se um livro de autoajuda ou contrata-se um coach e, na verdade,  adquire-se uma dependência ao invés de aprender a ler o seu próprio livro.

      A revista EXAME pergunta: O que há de errado com a autoajuda? E Svend Brinkmann responde que o problema não é a autoajuda em si. Não nego que livros desse tipo podem ajudar certas pessoas, até porque também há bons títulos dentro desse gênero. Ainda assim, no geral, essas obras só reforçam o problema que supostamente deu origem a elas. Incutem a ideia de que felicidade é uma escolha individual, algo que só depende de você. E quando as pessoas fracassam — o que acontece com qualquer ser humano — elas se enxergam como as únicas responsáveis pela própria derrota. Elas se sentem culpadas por algo que não estava sob seu controle.   

       Svend discorda da crença de que “a felicidade é uma escolha.” E aqui cabe uma reflexão sobre o que é felicidade, e admitir que existirão tantos conceitos quanto cabeças. Felicidade pode ser uma sensação de ganho, satisfação de necessidades, aprendizado, liberdade e mais infinitas possibilidades.  Mas concordo que a felicidade seja lá o que a pessoa entenda de felicidade, nem sempre é uma escolha pois se assim fosse, deveríamos desconsiderar uma série de variáveis físicas, geográficas, históricas como por exemplo uma criança africana não escolheu passar fome e ser excluída das fontes de conhecimento.  Alguém que nasce cego por exemplo se limita a escolher se vai encarar esta cegueira como uma deficiência ou como uma condição para desenvolver os outros sentidos.  O cenário nos é dado e a escolha está na leitura que se vai fazer do cenário.  Tem pessoas que são  pobres no meio da riqueza pois tem deficiência de perceber das possibilidades de escolhas.

    A EXAME pergunta porque os livros com “receitas”  frequentemente viram best-sellers? E Svend responde que todo mundo deseja ser feliz, fazer fortuna, ter muitos amigos, construir uma carreira incrível. Apresentar esse objetivo como algo que depende só de você, como indivíduo, é algo muito atraente. A ideia se popularizou tanto que podemos dizer que está presente em tudo, inclusive na forma como as pessoas entendem o desenvolvimento das suas competências no trabalho.

     Na minha opinião, o que empobrece o conteúdo dos livros de receitas de sucesso é quando alimentam os sonhos de consumo como se fosse o fim da existência, e esquecem que para realizar os sonhos de consumo, primeiro é preciso desenvolver habilidades pessoais.  Possuir uma casa não pode ser mais importante do que ser uma pessoa capaz de adiar o prazer, saber economizar, priorizar desejos e focar no objetivo.  A meta de ser proprietário de uma casa é um pretexto para tornar o ser humano melhor ao desenvolvolver competências para conseguir comprar a casa.   O fim é a melhoria do ser humano e a casa é um meio.  A melhoria da pessoa é o que dá sentido ao objetivo de comprar a casa.

     Na entrevista dada a EXAME, o filósofo dinamarquês afirma que parte da indústria da autoajuda só contribui para reforçar o problema que ela própria diz combater:  a infelicidade causada pelo individualismo e o  desinteresse em soluções coletivas.  A autoajuda é um sintoma de um outro problema, subterrâneo, mais grave, que é o individualismo. As pessoas se sentem desligadas umas das outras, completamente sozinhas, quando acreditam que podem atingir seus objetivos de vida, por conta própria, se seguirem “7 passos para a felicidade” ou algo parecido. Numa era de incertezas como esta que vivemos, as pessoas estão cada vez mais para dentro de si mesmas para tentar ter sucesso. A indústria da autoajuda ofereceu ferramentas a elas nesse sentido. Antes, não havia essa ideia de que era sua responsabilidade ser feliz. Era algo mais diluído em práticas culturais. Agora virou uma questão individual.

      Acredito que a autoajuda pode ser danosa quando se concentra apenas em causa própria, isto é quando é usada como uma finalidade em si mesma, ou seja concentrar toda a energia em si como fim da existência, do tipo “Eu estou bem é o que importa”     A finalidade de estar bem  para deleite próprio é inútil e forma uma humanidade semelhante a um organismo em que cada célula quer se sentir bem, desconectada do objetivo  de formar um organismo.   Imagine se toda a energia fosse concentrada no coração e deixasse o intestino desvitalizado.  A exclusão de qualquer órgão leva a doença. Trabalhando somente o indivíduo, o resultado é igual a de um câncer onde cada célula cresce sem o senso do conjunto.  O individual deve estar conectado com o coletivo, porém se trabalharmos apenas o coletivo há o perigo da massaficação onde as pessoas são mecanizadas, automatizadas e perdem o livre arbítrio.    A coletividade é a soma dos indivíduos e se as partes menores forem fortes, consequentemente o todo também o será.      Há que se considerar também que todas as micropartes estão interligadas formando uma engrenagem onde o conjunto está dentro de uma dinâmica dialética de construção e desconstrução contínua.  Ao separar o indivíduo do todo é levá-lo a estagnação. Para a sociedade permanecer sadia o indivíduo deve ser educado para o bem da coletividade.

     A EXAME pergunta qual o impacto da autoajuda na sociedade? Svend responde que os primeiros livros de autoajuda foram lançados na metade do século 20, dentre os mais famosos é “O poder do pensamento positivo”, lançado em 1952 pelo pastor norte-americano Norman Vincent Peale que foi o sacerdote da família de Donald Trump desde quando ele era criança, em Manhattan, e chegou a conduzir sua cerimônia de casamento com a primeira esposa, Ivana. Trump já citou “O poder do pensamento positivo” como um livro bastante inspirador para ele. O livro de Peale fala sobre como você pode conseguir o que quiser se tiver pensamentos positivos. E veja o que aconteceu com Donald Trump! É um perigo. Eu pessoalmente sou bastante cético com relação a Trump e, assim, temo que essas técnicas sejam usadas para fins problemáticos.

    Na minha experiência, pensar positivo não significa pensar coisas boas.  O poder do pensamento positivo não é previlégio dos bons,  os mafiosos também tem pensamento positivo e usam para focar em seus objetivos amorais. O pensamento para ser ecológico e sistêmico   deve estar alinhado aos valores humanos.  Outro ponto falado na entrevista é a psicologia positiva do tipo se lhe derem um limão faça uma limonada.  Mas faz parte do aprendizado perceber o gosto do limão, e ainda como é o limão e o que você sente quando recebe um limão, e o que levou você a receber este limão e o resultado de toda a experiência auxilia o AUTOCONHECIMENTO. Se a pessoa acredita que positivo é tudo que for doce, não irá querer aprender com o amargo.  Todas as experiências são positivas se trazem aprendizado.  A separação, a falência, a rejeição, o fracasso é um resultado que serve para aprender a como chegar no êxito.

    A revista Exame, perunta: O título de um dos capítulos do seu livro é “Demita o seu coach”. Por que o coaching é algo descartável na sua opinião? O próprio conceito de coach “treinador”, em inglês, que vem do mundo dos esportes, pressupõe que você está competindo com os demais para vencer o jogo. Há um perigo em enxergar a vida como uma partida em que há vencedores e perdedores. Talvez o coaching faça algumas pessoas pensarem nesses termos e por isso é potencialmente perigoso. Além disso, o coach muitas vezes age como um mero espelho seu. Ele fará você olhar ainda mais para si mesmo. No fundo, ele só reforça o individualismo, só cria um ciclo de autorreflexão perpétuo. Não precisamos de mais insights sobre nós mesmos. Precisamos olhar para fora e para o outro.

    Concordo plenamente de que a competição eivada de comparações e inveja  pode levar à intenção de destruir o outro, a exemplo de Caim e Abel.  O jogo de disputa por um lugar ao sol estabelecido pela sociedade capitalista consumista, está mostrando claramente que falhou na medida que o planeta está explodindo em guerras, drogas, violência e a raça humana está menos feliz e equânime. No regime de competição, a maioria dominante, economicamente forte, explora as minorias carentes.  No regime de cooperação não há escasséz, tendo em vista que cada pessoa vive com o necessário, livre de excessos.    Embora o jogo pressuponha que um perde e outro ganha, no jogo da vida todos ganham porque no processo de seleção,  uma célula morre para outra nascer, a semente se desconfigura para surgir a planta, e a presa mais fraca é aquela que será alvo do predador.  Quando o  objetivo maior é o aperfeiçoamento dos reinos mineral, vegetal e animal, não há perdas.  Porém tais conceitos quando são migrados para o mundo corporativo se tornam  predatórios pois se perde o objetivo de aperfeiçoar as habilidades.  Se o outro é melhor do que eu, em determinadas habilidades, ele não merece morrer por isto.  Na verdade o outro mais competente nos incentiva a se esforçar para conseguir os mesmos resultados.   Nos jogos de futebol, quando um time perde uma partida, na semana seguinte treina mais  para ganhar o próximo jogo, assim os jogadores do mundo inteiro vem aperfeiçoando as técnicas de jogo e as estratégias de jogadas.

    Trazendo para o mundo do coaching, os coachs que se firmarão no mercado serão aqueles que estiverem se aperfeiçoando em suas técnicas.  Não há nada de mal no jogo se estiver a serviço de uma evolução e aperfeiçoamento.  Todos os dias  pense no tanto que o concorrente está lhe fazendo caminhar.  Em São Paulo as pessoas são mais profissionais porque a concorrência é maior. Caso contrário há uma estagnação na zona de conforto.    No caso do resultado não ser o esperado, deve se evitada a sensação de desvalia. Perder no jogo de damas, não o faz um péssimo jogador e sim mais atento.  Faz parte do processo evolutivo a experiência de ganhar e perder.  Os jogos na Grécia antiga tinham a finalidade de mostrar as infinitas possibilidades de interação entre mente e do corpo e o que se pode perceber é que em cada olimpíada, novos recordes são alcançados.

      Exame pergunta: O autodesenvolvimento – isto é, estar interessado no próprio aperfeiçoamento pessoal e profissional – exclui a possibilidade de cuidar das outras pessoas? Responde Svend em princípio não. Teoricamente é possível ter um foco no seu próprio desenvolvimento sem deixar de pensar nos demais. Mas, na prática, essa atenção que você dirige a si mesmo, por meio da autoajuda, dificulta o pensamento nos outros.  Que tipo de mentalidade deveria existir, então?  E Svend responde, deveríamos pensar em termos mais coletivos. Não sou contra os objetivos que os livros e cursos de autoajuda pregam. Eu também quero que as pessoas sejam felizes e conquistem seus sonhos!  Mas nós precisamos pensar na forma como tentamos fazer isso.  Precisamos lembrar que os nossos males e tristezas têm uma natureza política. Portanto, os desafios precisam ser resolvidos de forma social, e não só individual. Quando as pessoas seguem o discurso do autodesenvolvimento,  tentam ser versões melhores de si mesmas, mas esquecem que também são responsáveis pelas demais. Vivemos numa sociedade que não dirige a sua atenção às necessidades dos outros. A alternativa à autoajuda, a “antiautoajuda”, seria ajudar o outro em vez de ajudar a si mesmo. Afirma Svend Muita gente diz que você precisa primeiro amar a si mesmo para então amar o outro. Elas citam aquela instrução que recebemos em viagens aéreas: em caso de despressurização, coloque a máscara de oxigênio antes em você, e só então ajude a pessoa ao seu lado. Para mim isso está completamente errado. Não no sentido literal do avião, claro! Mas, na vida, precisamos estar lá para o outro, incondicionalmente, e não pensar antes em nós mesmos.  Para aproveitar a metáfora, imagine que a humanidade é um avião em queda livre. Hoje, as pessoas só estão preocupadas em respirar nas suas máscaras de oxigênio. Estamos chamando isso de autoajuda, “mindfulness”, e por aí vai. Ocorre que ninguém se levanta para checar que se há algum piloto na cabine, tentando salvar o avião. Se fizessem isso, descobririam que a cabine está vazia.O que deveríamos fazer? Assumir o controle da cabine e tentar salvar o avião da queda. O que estamos fazendo? Estamos concentrados em respirar nas nossas máscaras individuais. O que quero dizer com essa imagem é que estamos numa sociedade desestruturada, que está enfrentando muitas crises, como um avião caindo. E nós somos esses passageiros que ficam sentados em suas poltronas, concentrados na sua própria felicidade e no seu próprio sucesso, nas suas máscaras de oxigênio.

Deveríamos sair dos nossos lugares e buscar uma solução sistêmica se quisermos salvar o avião, ou o mundo, do desastre. Não vamos melhorar o mundo se apenas melhorarmos nós mesmos. Precisamos agir juntos.

     Na minha percepção, se cada um continuar dentro da sua cápsula melhorando cada vez mais, seremos hermitões isolados no meio da multidão, presas fáceis e sem defesa. A única saída para a humanidade vencer os desafios da sobrevivência é buscar a união com todos os povos e agir com senso coletivo.  Manfredo Oliveira, professor de Filosofia da UFC diz que a alternativa para a humanidade é a FRATERNIDADE.

     Pergunta a revista Exame: O mundo de trabalho está cada vez mais competitivo. Não seremos menos produtivos se tirarmos o foco do autodesenvolvimento? Resposta de Svend Todos nós queremos ter um emprego e contribuir para o progresso. Não há nenhum problema em ser produtivo, em adquirir novas competências para trabalhar melhor. O problema é que o discurso sobre maximizar a produtividade tem uma consequência paradoxal. Ele deixa as pessoas cansadas e tristes, o que as torna menos criativas e menos eficientes.   A economia moderna, a economia do conhecimento, precisa de pessoas que tenham coragem de desenvolver novos produtos e novas ideias. Todo mundo sabe disso. Mas o sistema que temos não tem dado sustentação a esse fato. Talvez seja uma herança da velha sociedade industrial, por exemplo, que os empregadores ainda falem de seus funcionários como “recursos humanos”. Como se pessoas fossem recursos comparáveis a carvão ou petróleo. Coisas que se deve explorar, usar, otimizar. Em primeiro lugar, isso é antiético, pessoas não são recursos, são seres humanos, com dignidade e direitos, elas não são coisas. Em segundo lugar, não é produtivo. Na vida moderna, precisamos trabalhar em equipe, com autonomia, com horários flexíveis. O modelo de trabalho mudou, exige mais liberdade. As pessoas precisam ser tratadas como pessoas, não como recursos humanos. Na Dinamarca e em muitos países, há estatísticas assustadoras sobre a quantidade de profissionais com depressão, ansiedade, estafa por causa dos seus empregos. Esse tipo de coisa não poderia existir em um mundo civilizado. Nós deveríamos conseguir trabalhar sem passar por esses problemas.  Seres humanos fazem um bom trabalho quando se sentem seguros, quando sentem que podem confiar nos seus chefes, nos seus colegas.

     Acho que vale a pena citar que no Butão, pais localizado nas montanhas do Himalaia, e de um dos menores PIB do planeta, as pessoas são felizes porque confiam em sua governança, dançam, cantam em praças públicas e convivem com a natureza.

Qual é a sua definição de sucesso? Svend responde de forma simplificada, ter sucesso é ser capaz de cumprir as suas obrigações. Algumas delas são comuns a todos os seres humanos, algumas são específicas de cada um de nós. Não acho uma boa ideia falar sobre sucesso sem falar em compromissos e obrigações.  Se você perguntar para um coach como Anthony Robbins, um dos mais famosos do mundo, ele dirá que sucesso é fazer o que você quer, quando você quer, onde você quer, com quem você quer.   Eu questiono isso. E se o que eu quero não for digno? E se o que eu quero for prejudicial para os outros? Se esse for o caso, eu serei realmente bem-sucedido se conseguir o que quero?

    Segundo a Escola de Valores Humanos na cidade de Putaparthi na Índia, um dos valores humanos apreciados é o RETO AGIR, isto é fazer o que deve ser feito para o bem comum.  Para se admirar e se sentir bem consigo mesmo carece ter um objetivo digno. Mas, para saber o que é um objetivo digno, uma postura ética diante vida,  uma missão em prol do bem comum.

    Ao ser indagado pela Exame de como essas técnicas aparecem no mundo do trabalho, Svend responde que o mundo do trabalho se tornou muito psicologizado. Não são apenas as minhas competências que preciso desenvolver, mas também a minha personalidade, os meus sentimentos mais íntimos. Para ser um bom profissional hoje, preciso fazer cursos de desenvolvimento pessoal, coaching e por aí vai.  O empregador não pede apenas para o funcionário vender o seu tempo por uma certa quantia de dinheiro, mas também vender a si mesmo, a sua personalidade. Se eu me entregar nesse sentido, eu realmente não tenho nada mais que é meu. Esse é o problema.

     Na minha percepção, os programas de desenvolvimento no Brasil, mais se parecem com adestramento usado com animais de circo, onde todos funcionam dentro de um mesmo padrão para receber a recompensa.  Os programas educacionais de aprendizagem de referência são os que geram CONSCIÊNCIA e liberdade de expressão, incentivando que cada pessoa seja um artista a própria vida.

      Exame: Qual é o seu conselho para os brasileiros, que atualmente estão sofrendo com a alta nos índices de desemprego e a escassez de oportunidades em meio à crise? É importante estar atento para não cair em discursos motivacionais baratos. Quando a economia de um país vai mal, é quase constrangedor ouvir alguém dizendo frases como: “Basta que você esteja motivado para ter sucesso”.  O título original do meu livro, em inglês, é “Stand firm” “Fique firme”, em português. Mas para um país que está enfrentando múltiplas crises, como o Brasil, seria importante acrescentar a palavra “juntos” a essa mensagem: “fiquem firmes juntos”.  É importante não transformar a solução em mais um projeto individual. Pensar só em si mesmo é uma tentação muito grande em tempos de crise. Mas eu espero que as pessoas percebam que, a longo prazo, será melhor para todo mundo se buscarem soluções coletivas para os seus problemas.  O ritmo da vida moderna está acelerando. Para manter-se, devemos continuar a mudar e adaptar-nos – esforçando-se constantemente por uma maior felicidade e sucesso. Ou então, somos desinformados. Mas as exigências da vida na pista rápida vêm a um preço: o estresse, a fadiga e a depressão estão em todos os tempos, enquanto nossas interações sociais se tornaram cada vez mais egoístas e oportunistas.
Acredito que os  discursos motivacionais baratos”  carecem de  profundidade, tem vida curta, e quando a palestra termina e plateia sai do transe, tudo retorna ao estado anterior.   Alimentam também criar uma cultura da motivação extrínseca, dependente de estímulos externos.  As palestras motivacionais são muito usadas no Brasil pelas empresas para maquiar um clima organizacional desumano.   A empresa passa o ano inteiro explorando o funcionário que é obrigado a uma rotirna escravizante com salários irrisórios e no final do ano distribui uma cesta, faz um sorteio de um carro e oferece uma palestra motivacional.  Atualmente, inclusive está em alta uma palestra entitulada “Felicidade dá lucro”.  Realmente o colaborador mais feliz é mais produtivo,  mas a busca da felicidade deve ser em prol do ser humano e não da empresa.  Existe uma inversão de valores; é o desenvolvimento que deve estar a serviço da felicidade humana e não o homem feliz para gerar mais desenvolvimento.   Palestras que geram crescimento consistente são  aquelas que criam reflexões de novas formas de pensar, sentir e agir. É preciso ensinar as pessoas a pensarem de forma livre e divertida e aprender a tirar a essência de cada experiência.

Fonte: http://exame.abril.com.br/carreira/por-que-este-professor-quer-que-voce-demita-o-seu-coach/

Sobre Magui Guimarães

Magui Guimarães é Master Trainer em PNL & Coaching, Consultora em Gestão de Pessoas, atua em Educação Corporativa e Coaching para executivos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>